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Criança dormindo

Distúrbios do Sono Infantil

O que é?

 

Distúrbios do sono são alterações na capacidade de dormir adequadamente, seja por alterações cerebrais, por desregulação entre o sono e a vigília, por alterações respiratórias ou por transtornos do movimento. Essas condições são capazes de afetar o sono do paciente, impedindo-o por completo de dormir ou tornando o sono insuficiente.

Existem dezenas de distúrbios do sono, que podem surgir em qualquer idade, e são mais frequentes em crianças ou idosos. Sempre que existirem, devem ser tratados, pois quando persistem podem afetar gravemente a saúde do corpo e da mente.

“Ignorar a fisiologia do sono e suas patologias não é aceitável para qualquer profissional de saúde que lide com crianças.‘’

- Christian Guileminault

Bruxismo Infantil

O bruxismo é uma atividade muscular mastigatória repetitiva, caracterizada por apertar ou ranger os dentes e/ou protrair a mandíbula ou enrijecer sua musculatura. Ele pode ocorrer durante o sono ou em vigília. Em crianças maiores e adolescentes, é mais comum o bruxismo em vigília, fatores emocionais como ansiedade a tensão estão entre as causas.
 

O bruxismo do sono pode estar associado a eventos de apneia, ao refluxo gastroesofágico, pode ser inespecífico, mas ser potencializado pela ansiedade, e pode estar associado ao uso de alguns medicamentos, especialmente, antidepressivos.  

 

O bruxismo pode causar dor intensa na musculatura mastigatória, disfunção da articulação têmporo-mandibular (DTM), desgaste mecânico extremo dos dentes, até mesmo fraturas com complicações protéticas/restauradoras.

 

Uma abordagem interdisciplinar, com médicos, dentistas, psicólogos e fonoaudiólogos é fundamental para um diagnóstico correto e tratamento adequado.

 

É indicado o uso de placas oclusais rígidas, quando há danos à estrutura dentária. O paciente tem que ser acompanhado por um ortodontista para manutenção ou troca da placa oclusal, uma vez que a criança está em ampla fase de crescimento-alveolar.

Ronco Infantil

Um suspiro mais alto, uma respiração mais profunda e, de repente, um barulho mais forte. Ouvir seu filho roncar pode revelar uma série de problemas, e quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais eficiente será o tratamento.

Uma em cada dez crianças roncam, esse ronco não é uma coisa saudável. Há estudos que mostram que a criança que ronca pode sofrer até mesmo alterações no crescimento, já que a oxigenação dos tecidos é prejudicada, em especial quando ela tem apneia.
 
O que provoca o problema é a obstrução das vias aéreas. E essa obstrução pode ser causada por vários motivos, como alergias, hipertrofia de amígdalas e adenoides e infecções na amígdala ou na garganta.  É preciso observar a periodicidade do ronco, como e quando acontece. E perceber se há outros fatores associados, como sono agitado e baba.

Estima-se que o ronco infantil possa diminuir em até 11 pontos do coeficiente intelectual, ele também foi relacionado por especialistas a distúrbios como hiperatividade e déficit de atenção.

Apneia do Sono Infantil

Entre os sinais clássicos da apneia do sono ronco é o mais comum, mas a criança também pode sofrer com sonolência diurna e dores de cabeça durante o dia e, principalmente, ao acordar. Existem também outros sintomas que merecem atenção, são eles: suor excessivo, dificuldade para respirar e, um bem fácil de ser observado, é se a criança está dormindo de boca aberta.

Diagnóstico e tratamento

Assim como em adultos, o diagnóstico da apneia do sono infantil é feito a partir da polissonografia. Para a realização desse exame, são colocados sobre a pele da criança, durante uma noite de sono, sensores capazes de monitorar as ondas cerebrais, a frequência cardíaca e respiratória, o nível de oxigênio no sangue, além do movimento dos olhos e das pernas. Na criança, considera-se haver apneia do sono quando o índice de apneia/hipopneia é superior a uma paragem respiratória por hora.


A apneia do sono infantil provoca a fragmentação do sono e, consequentemente, interfere com uma das fases mais importantes do desenvolvimento da criança. Entre os sintomas típicos nessas crianças estão a hiperatividade, a dificuldade de concentração e um comportamento extremamente irrequieto.


O diagnóstico precoce em crianças com a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é de grande importância, a fim de evitar sequelas, além de uma piora no quadro da síndrome.


A SAOS tem uma relação com atresias maxilares e mordida cruzada posterior, e o tratamento mais utilizado para corrigir estas deformidades é a expansão rápida maxilar (ERM). A remodelação por meio da ERM vai ocasionar mudanças no sistema respiratório pela íntima relação entre a maxila e a cavidade nasal, diminuindo sua resistência e aumentando a capacidade respiratória.


Além do aumento da área orofaríngea, ocorre ganho transversal da maxila, havendo maior espaço para a língua, permitindo a vedação dos lábios, diminuindo a respiração bucal. A ERM demonstrou ser uma alternativa importante de tratamento, apresentando uma melhora nos sinais e sintomas da síndrome, e na qualidade de vida.

11 dicas para o sono infantil

A qualidade e a quantidade das horas dormidas são fundamentais para o bom desenvolvimento de crianças e de adolescentes. Considerando o papel chave de pais e educadores nesse processo, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seus Departamentos Científicos de Adolescência e de Sono, oferece as seguintes recomendações para a higiene do sono:


1- Manter uma rotina para os cochilos diurnos das crianças que ainda deles necessitam, evitando-os no final da tarde.


2- Colocar a criança ainda acordada em sua cama, indicando que é hora de dormir, oferecendo-lhe ambiente calmo e tranquilo para induzir o sono, ganhar sua confiança e lhe dar segurança.


3- Criar uma rotina para a hora de dormir, com um momento bom e agradável com os pais (ler estórias serenas, ouvir música calma etc.), sem muitos estímulos, principalmente físicos.


4- Criar um ambiente propício ao sono e recompensar as noites bem dormidas.


5- Manter a rotina de horários para dormir e acordar todos os dias, incluindo finais de semana e feriados (horários regulares).


6- Evitar bebidas (chocolate, refrigerante, chá mate ou cafeinados) e medicações que contenham estimulantes próximas a hora de dormir.


7- Tentar não deixar a criança adormecer com mamadeiras, leite, chás ou vendo televisão ou em outro lugar que não seja sua própria cama.


8- Não alimentar a criança durante a noite.


9- Evitar levar a criança para cama dos pais ou outros lugares para dormir ou se acalmar.


10- Se a criança acordar à noite para ir ao banheiro ou por causa de pesadelos, permanecer no quarto dela até se acalmar e avisá-la que retornará para o seu quarto, quando ela adormecer.


11- Quando lidar com a criança durante a noite, usar uma luz fraca, falar baixo e ser breve o suficiente, sem estimulá-la.

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